Ação terminou em um caso confirmado e pelo menos seis pessoas com suspeita de estarem com a doença


A Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham) deu início, neste sábado (17/01), à campanha Janeiro Roxo com uma ação de busca de novos casos de hanseníase na capital amazonense. A Fuham, instituição ligada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), mobilizou cerca de 90 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de Saúde e de áreas administrativas que, em pouco mais de sete horas de atendimento da população, identificou um caso confirmado e pelo menos seis sob suspeitas que deverão passar por mais avaliações na semana que vem.
O diretor-presidente da Fuham, Carlos Chirano, ressalta que ação de busca ativa é uma ferramenta essencial para alcançar o controle da hanseníase no estado. “Se ficarmos sentados esperando que os pacientes venham fazer a consulta, vamos perder a oportunidade de obter o controle da hanseníase no estado do Amazonas”, avalia Chirano.
A secretária executiva de Assistência de Urgência e Emergência e Hospitais, Liege Rodrigues, lembra que a busca ativa realizada no interior, pela Fuham, tem sido primordial para o combate à doença. “A busca ativa é primordial, principalmente nos municípios, para a atenção básica realizar o mapeamento desses pacientes e os seguimentos que se dão a este tratamento dentro da Fundação Alfredo da Matta”, afirmou Liege.


Dúvidas sanadas
Entre os mais de 100 atendimentos, a maioria foi de pessoas com dúvida sobre o que poderia ser essa ou aquela mancha no corpo. O diagnóstico da hanseníase é essencialmente clínico e, para um profissional treinado, pode ser considerado simples e rápido, baseando-se na inspeção da pele e testes de sensibilidade.
No entanto, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alerta que a doença ainda é um grande problema de saúde pública no Brasil, muitas vezes subdiagnosticada devido à falta de suspeição ou reconhecimento dos sintomas iniciais.
A secretária-geral da SBD, Regina Carneiro, diz que o esclarecimento da população sobre a importância do diagnóstico precoce da hanseníase, assim como o papel do dermatologista no tratamento. O autoteste, onde o indivíduo faz a verificação da perda de sensibilidade em alguma mancha encontrada no corpo, também pode significar um avanço a ser atingido quanto à doença. “A população precisa entender que a pele é o principal órgão do ser humano, então qualquer alteração na pele, a gente está falando de mancha, precisa ser consultada por um dermatologista”, afirma Regina Carneiro.
Foi com esse intuito que a acadêmica de medicina Rosa Oliveira chegou cedo à Fuham. Foi a segunda pessoa a ser atendida. “Eu fiquei sabendo dentro da secretaria de Saúde. Uma pessoa de lá me indicou que haveria esta ação. Como eu já tenho um relato de manchas na pele, eu vim ver se tem algum diagnóstico, para saber o que é para poder fazer um tratamento”, afirmou Rosa.
Campanha Nacional
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) escolheu Manaus para o lançamento da campanha Janeiro Roxo, em nível nacional. A diretoria da entidade realizou uma solenidade, na manhã deste sábado, para chamar atenção da sociedade contra a falta de informação, um dos maiores obstáculos para o tratamento da doença, especialmente, no Brasil.